CAMPINAS, 28 DE SETEMBRO DE 2012

A grande obra dos fiés

O projeto representava inovação arquitetônica absoluta para a época, em estilo normando e características românticas
13/07/2014 - 05h00 - Atualizado em 10/07/2014 - 18h59

Foto: Edu Fortes/AAN
Edu Fortes/AAN
Padre Dalmírio Amaral: "Aqui em Valinhos, as famílias se sentem honradas em fazer parte da história do templo"

A Matriz de São Sebastião foi inaugurada no alto da colina há 70 anos. O templo foi construído ao longo de quatro anos. As obras chegaram a ser interrompidas, mas foram retomadas quando chegou dinheiro arrecadado para as novas etapas. E assim foi. De tijolo em tijolo, a igreja saiu do papel e se transformou no mais importante monumento arquitetônico da cidade de Valinhos.
 

O projeto – do engenheiro Lix da Cunha – representava inovação arquitetônica absoluta para a época, em estilo normando e características românticas. E com direito a requintadas colunatas, capitéis, volutas e sinos gigantescos. Quem passeia por Valinhos já admira o prédio imponente. Mas quem conhece sua história, se apaixona.
 

O trabalho envolveu toda a comunidade, no então distrito campineiro. Cada detalhe arquitetônico – vitrais, lustres, bancos, portas – foram doados por católicos. E o altar-mor é um patrimônio especial. É todo em mármore português. E a impecável imagem do padroeiro, obra de Arthur Pederzoli (também patrocinada por um morador) tem 2,10 metros de altura.
Foto: Edu Fortes/AAN
Edu Fortes/AAN
Obra erguida com a colaboração dos fiéis faz 70 anos: estilo normando com traços românticos

O lançamento da pedra fundamental da Matriz aconteceu em 1939, mas os pedreiros só começaram a abrir alicerces em 1942. Foi preciso juntar as moedas durante três anos. O mestre de obras foi Antônio Marcelino. E, entre os serventes, havia gente como o menino Francisco Pozzuto, de apenas 12 anos de idade.
 

A lista de colaboradores é imensa. E tem muitos sobrenomes bastante conhecidos na região: Bissoto, Marcussi, Folegatti, Pazinatto, Bernardi, Oliveira, Celani, Spadaccia, Capovila, Ataliba Nogueira, Franceschini, Milani, Marchiori, Speglish, Antoniazzi, Basseto… Cada fiel ajudava como podia, ou com o que sabia fazer.
Bom, o tempo passou. Valinhos ganhou emancipação política em 1953. Mas o envolvimento comunitário nunca mudou. Que o diga o padre atual Dalmírio Amaral, que assumiu a São Sebastião depois de passar pelas paróquias de Jesus Cristo Libertador (Campinas) e São Miguel Arcanjo (Sumaré). Catarinense de nascimento, Dalmírio confessa que ficou impressionado ao ver como é intensa a participação dos fiéis valinhenses. A São Sebastião, conta, tem dez mil paroquianos praticantes mesmo. “É lindo de se ver: o católico vem todo orgulhoso, e conta que o pai dele trabalhou na construção, fez isso, faz aquilo”, diz o padre. “Aqui em Valinhos, as famílias se sentem honradas em fazer parte da história do templo.”
 
Foto: Edu Fortes/AAN
Edu Fortes/AAN
Imagem de São Sebastião, padroeiro da igreja, de Arthur Pederzoli: doação nobre

A secretaria da igreja organiza um café mensal para reunir antigos paroquianos que se divertem reencontrando amigos e contanto causos. Mas o padre reconhece que o fervor religioso na cidade se deve à atuação marcante de um cidadão muito especial: Bruno Nardini, vigário na época da construção. Franzino, mas muito empenhado, o homem determinou a terraplanagem do terreno da nova Matriz um mês depois de assumir o cargo. Ele tornou realidade o sonho do antecessor, o padre Manoel Guinot.
 

Nardini não se limitou a passar cestinhas e pedir doações. Foi ele quem teve a ideia de criar uma exposição de figos em barracas montadas ao redor da igreja, e incrementar a economia do lugar. Para isso, participou de cursos especiais lecionados por agrônomos. Aprendeu técnicas modernas de cultivo e manejo, disseminadas entre pequenos proprietários rurais. E o evento inaugural acabou se transformando na festa anual gigantesca que hoje atrai turistas de todo canto. Desde então, os sitiantes se empenham no cotidiano da paróquia. “O padre, depois monsenhor, Bruno Nardini ajudou a construir a cidade de Valinhos que conhecemos hoje”, destaca Dalmírio.



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