SILENCIOSO

Como vai seu coração?

Enfarte faz cerca de 300 mil vítimas por ano no Brasil, segundo Ministério da Saúde; 50% dos casos acontecem sem que a vítima apresente sintomas prévios
11/05/2014 - 05h00

Você sabia que a cada cinco minutos uma pessoa morre vítima de enfarte no Brasil? O agravante é que, em 50% dos casos, ele chega de maneira silenciosa, sem sintomas prévios que indiquem que o coração está precisando de cuidados. Esse mal chamou a atenção do público recentemente pela morte, na última quinta-feira, do cantor Jair Rodrigues e por vitimar, no mesmo mês e de forma súbita, dois famosos: o ator José Wilker e o comentarista esportivo Luciano do Valle, além do irmão do músico MC Gui, Gustavo Matheus Castanheira Alves, de 17 anos. Todos os anos, são cerca de 300 mil mortes no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, e 45% dessas vítimas tinham mais de 45 anos. Para os especialistas, ainda falta informação para que a população se cuide melhor, pois o problema pode ser evitado com hábitos saudáveis e medidas preventivas, como check-ups anuais. 
 
Foto: Divulgação
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O cantor Jair Rodrigues foi encontrado morto na sauna de sua casa, em Cotia, na quinta-feira

A vida agitada gera estresse, estimula e facilita a má alimentação, o tabagismo e o sedentarismo. Esses hábitos são vilões para o órgão que bombeia oxigênio e nutrientes para todo o corpo. “Hoje, a principal causa de morte no Brasil são as cardiovasculares, com índice entre 31% e 33%. O enfarte do miocárdio é a mais recorrente. Por isso, precisamos buscar na população quem está inserido nos fatores de risco e fazer uma investigação para detectar ou afastar a cardiopatia isquêmica”, explica o cardiologista Otávio Rizzi Coelho, chefe da disciplina de cardiologia na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (Unicamp).
 

A idade, o colesterol, a pressão alta, o diabetes e a obesidade são outros fatores que elevam a probabilidade desse quadro. A herança familiar com grau de parentesco direto (pais e irmãos) também é agravante, e os jovens abaixo de 40 anos que se encaixam nesse perfil devem ter atenção redobrada. Pacientes com doenças inflamatórias, como artrite, e com queda da função renal (insuficiência renal crônica) também devem se manter alertas. “Os indivíduos com um ou mais fatores de risco e que não mudam o estilo de vida são bombas relógios e podem morrer subitamente. Muitos não têm tempo nem para descobrir que possuem alguma doença no coração”, assevera o cardiologista Sérgio Timerman, diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
 
Foto: Divulgação
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O ator José Wilker, que morreu, vítima de enfarte, aos 66 anos em sua casa

Atenção aos sinais! Quando há sintomas, eles aparecem em forma de desconforto na região do peito com intensidade variável, irradiada para o braço e para a mandíbula, além de queimação no estômago, falta de ar, cansaço, sudorese e palidez.


Mulheres e jovens, atenção!
De acordo com o especialista da Unicamp, as mulheres têm de três a quatro vezes mais chances de sofrer enfarte do miocárdio do que de desenvolver algum tipo de câncer. Mesmo com esse índice, elas são protegidas pelos hormônios da menopausa, fundamentalmente o estrógeno, ganhando dez anos em relação aos homens – entre eles, a idade de risco se dá após os 50 anos. “Uma das causas é a mudança no estilo de vida, pois as mulheres passaram a ser protagonistas, enfrentando dupla jornada – trabalho e casa – e aumentando o estresse. Isso reforça a importância desse grupo fazer investigação periódica com um cardiologista e não somente com o ginecologista”, reforça Coelho.
 
 
Foto: Divulgação
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O narrador esportivo Luciano do Valle, morreu aos 66 anos, após passar mal dentro de um avião; ele chegou a ser socorrido, mas não sobreviveu
Alterações de hábitos também prejudicam o quadro para jovens, que estão mais propensos às doenças cardiovasculares atualmente. “Jovens na faixa etária entre 20 e 40 anos estão sofrendo mais enfartes do miocárdio. Nos maiores hospitais de São Paulo, eles representam, em média, 12% dos casos. Em 2000, esse número não passava de 6%”, contabiliza o cardiologista do Incor. A competitividade, o estresse, a má alimentação, o sedentarismo e o uso abusivo de álcool, cigarros e drogas estão entre os principais fatores para essa faixa da população grupo. “Os serviços de emergência são cada vez mais frequentados por pessoas com menos idade”, ressalta. 
 
 
Fatores de Risco
Herança familiar com parentesco direto (pais e irmãos)
Idade
Tabagismo
Hipertensão
Diabetes
Sedentarismo
Obesidade
Colesterol
 
Socorro rápido salva vidas

Quanto mais rápido for o atendimento, maiores são as chances de salvar uma vítima de enfarte. Por ser uma situação repentina, o socorro oferecido nos primeiros minutos após o ataque cardíaco, enquanto a ambulância não chega, é precioso. Você saberia o que fazer se alguém passasse mal a seu lado? Segundo os sargentos Dicara e Rosário, do Corpo de Bombeiros de Campinas, o primeiro passo é manter a calma e sempre ter em mente os telefones de emergência: 193 (Corpo de Bombeiros) e 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – Samu). As informações precisam ser passadas de forma detalhada aos atendentes, pois somente dessa maneira os técnicos poderão orientar corretamente o chamado. Em casos mais graves, quando o paciente perde a consciência, por exemplo, é preciso acompanhamento de um médico na viatura de resgate ou até do helicóptero Águia. O cardiologista do Incor Sérgio Timerman alerta que se o paciente estiver inconsciente, as manobras de ressuscitação cardíaca (massagem cardíaca) devem ser iniciadas imediatamente.

O Samu de Campinas também está capacitado para atender, diagnosticar e tratar os pacientes no local e na ambulância. “O Hospital de Clínicas da Unicamp possui procedimento rápido voltado para esse tipo de ocorrência. A angioplastia primária é realizada a partir do cateterismo para fazer a abertura mecânica da artéria”, destaca Otávio Rizzi Coelho, da Unicamp.
 
 
Massagem cardíaca
 
O sargento Rosário e os soldados Ordiley e Edras, do Corpo de Bombeiros, simulam os procedimentos que devem ser realizados até que o resgate chegue
 
 
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Veja se a vítima está respirando aproximando o ouvido do rosto e observando se o peito se movimenta
 
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Caso não esteja, libere as vias aéreas elevando o queixo e abrindo passagem para o ar
 
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Verifique a pulsação com os dedos indicador e médio na veia próxima ao pescoço. Ela pode ser medida, também, no pulso, mas algumas pessoas podem ter dificuldade em sentir nessa região
 
 
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Se não houver batimentos, inicie a massagem cardíaca posicionando a palma da mão na linha dos mamilos, com distância de dois dedos do centro do peito. Em crianças, uma mão é suficiente
 
 
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Já existem aplicativos que simulam o som dos batimentos cardíacos de maneira a contribuir para a pessoa acompanhar o ritmo certo. O Sargento Dicara recomenda o CPR Tempo, para Iphone
 
 
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Os movimentos devem ser repetidos cem vezes por minuto (ou, para facilitar o ritmo, dois impulsos por segundo). Após dois minutos, a pulsação deve ser checada novamente. Se ela não tiver sido recuperada, continuar a manobra até que o socorro chegue
 
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