CAMPINAS, 28 DE SETEMBRO DE 2012

O homem, sua obra, sua herança

06/04/2014 - 05h00 - Atualizado em 04/04/2014 - 13h23

Foto: Carlos Sousa Ramos/AAN
Carlos Sousa Ramos/AAN
Fachada da Academia Campinense de Letras: patrimônio arquitetônico

Quem passeia pelo Centro com olhar atento fica encantado com o Edifício Sant’Anna (abriga o Hotel Opala Barão), o primeiro arranha-céu de Campinas. O prédio, em estilo art déco, inaugurado em 1935, inspirou uma geração de arquitetos que desenhava a Campinas que se verticalizava. A obra virou uma espécie de marca registrada do engenheiro Lix da Cunha, que fundou – há exatamente 90 anos – o embrião da construtora que hoje leva o seu nome.
 
Lix nasceu em Mogi Mirim em 1896 e se mudou para Campinas ainda garoto. Concluiu o ginásio no Culto à Ciência e se mudou para os Estados Unidos ainda na mocidade. Estudou engenharia e arquitetura em estabelecimentos tradicionais: a Randolph Macon Academy, na Virgínia, e o Rose Polytechnic Institute, em Indiana.
De volta ao Brasil com 23 anos de idade, ele trabalhou em empresas renomadas como a Standard Oil e a São Paulo Railway. Em 1924, fundou, ao lado do também engenheiro Antônio Dias de Gouveia, o escritório Gouveia & Cunha. E daquelas pranchetas saiu a planta do histórico edifício de seis andares no Centro, o Sant’Anna, e de diversos empreendimentos da Campinas que crescia sem parar.
 
 
 
Foto: Cedoc/RAC
Cedoc/RAC
Busto na Avenida Lix da Cunha: a cidade reconhece o engenheiro
O sócio adoeceu e morreu no final dos anos 30, mas Lix seguiu com o negócio próprio. Em 1948, o engenheiro fundou a Construtora Lix da Cunha, que nas décadas seguintes se tornaria uma das maiores do País. Com o tempo, o Brasil passou por transformações políticas, crises econômicas e sociais. Entretanto, a empresa resistiu.
 
Brilhante, respeitado, Lix virou cidadão campineiro em 1961, com o título conferido pela Câmara Municipal. Reconhecimento merecido. O engenheiro foi autor de projetos que se tornaram autênticos patrimônios arquitetônicos da cidade, como a Casa de Saúde, o Palácio da Justiça, a sede da Academia Campinense de Letras (ACL) e o próprio edifício-sede do Correio Popular, na esquina das ruas Conceição e Dr. Quirino.
 
Para funcionários, o engenheiro sempre foi exemplo de otimismo e dedicação. Fizesse chuva ou sol, o empresário – já de cabelos brancos – fazia questão de entrar no trabalho todo dia, no mesmo horário. Acompanhava de perto o andamento de cada projeto. Empenho, aliás, que também lhe rendeu em 1981 o prêmio Industrial do Ano, conferido pela delegacia regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Ele já tinha 85 anos de idade.
 
 
A empresa forte

Ao longo de décadas e de milhares de metros quadrados construídos, a Construtora Lix da Cunha virou sinônimo de excelência nos mais diversos segmentos: empreendimentos comerciais e residenciais de alto padrão, infraestrutura de loteamentos, plantas industriais, terraplenagem, pavimentação, pontes, viadutos e passarelas, construção e manutenção de rodovias, obras de saneamento básico.
 
Foto: Cedoc/RAC
Cedoc/RAC
Palácio da Justiça de Campinas: localizado no Centro, prédio é mais uma herança de Lix da Cunha para cidade
No começo da década de 90, aliás, a Lix gerava nada menos que 11 mil empregos, executando, simultaneamente, obras públicas gigantescas em cinco Estados. Mas ter o poder público como principal cliente custou muito caro. O rompimento de contratos com a União e o governo do Estado, por exemplo, provocaram rombos milionários. Para cumprir as responsabilidades fiscais e trabalhistas, o conglomerado aos poucos se desfez de parte do patrimônio.
 
Hoje, a Lix tem 200 funcionários. Sediada em um belo escritório na Nova Campinas, a empresa mantém oficinas, depósito e usinas em um terreno da SP-73. Segundo o presidente do Conselho Administrativo da Lix, Moacir da Cunha Penteado, a empresa se modernizou. A estrutura enxuta, funcional, restabeleceu o equilíbrio do caixa. E a excelência dos serviços ainda é comprovada pelos edifícios de alto padrão, que brotam nos bairros mais elegantes.
 
Desde a sua fundação, a Lix executou 2,5 mil empreendimentos no País. E a recuperação financeira notável, segundo o presidente, deve-se a um cuidado básico, tomado desde 1998. “A Lix deixou de firmar contratos com o poder público. As empresas não podem depender de um setor mergulhado em crises políticas e denúncias de corrupção”, afirma Penteado. Hoje, as parcerias privadas garantem a Lix forte.
 




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