ENTREVISTA

Começa por você

Campanha desenvolvida pela Controladoria-Geral da União incentiva cidadãos e outros órgãos públicos a combaterem as "pequenas corrupções" do dia a dia como forma de melhorar o País
23/02/2014 - 05h00
Camila Ferreira/Especial para a Metrópole
revista@rac.com.br

Falsificar a carteirinha de estudante, roubar tevê a cabo, comprar produtos falsificados, furar fila, tentar subornar o guarda para evitar multas, colar na prova, bater ponto pelo colega de trabalho e apresentar atestado médico falso são algumas das “pequenas” atitudes corruptas com as quais nos deparamos em nosso dia a dia e que estampam a campanha virtual Pequenas Corrupções – Diga Não!, da Controladoria-Geral da União (CGU). A segunda etapa da ação, iniciada em junho de 2013, foi lançada no último dia 9 e influenciou outros órgãos públicos, como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que também postou em sua página no Facebook frases que põem em xeque a honestidade dos brasileiros. “E aí? Vai estacionar em vaga de deficiente? O combate à corrupção começa com você”, provoca a campanha do conselho, lançada em dezembro, em alusão ao Dia Internacional contra a Corrupção.
 

Foto: Divulgação
Divulgação
'A grande repercussão positiva que tivemos demonstra que essas não são práticas aceitas por todo mundo. Ao contrário, evidencia que há brasileiros que agem de forma ética e educada nas pequenas atitudes do cotidiano'
Em menos de uma semana da postagem inicial na rede social da CGU (https://www.facebook.com/cguonline?fref=ts), a foto da campanha já havia sido visualizada por 7,6 milhões de usuários. Os comentários também chamaram a atenção e demonstraram a vontade por mudanças no País. Uma seguidora comentou “políticos não caem do céu, nem vêm do inferno, eles saem do povo”. Outras frases com a mesma linha de pensamento também foram expressadas.
Um fato que reforçou as duas iniciativas foi a entrada em vigor da chamada Lei Anticorrupção (no 12.846), que passou a valer no fim do mês passado. A regulamentação foi aprovada para facilitar a punição de empresas que praticam atos ilícitos relacionados ao poder público.
 

Para entender a repercussão e a iniciativa da campanha, a Metrópole conversou com a chefe da equipe da Assessoria de Comunicação da CGU, Thaisis Barboza, que coordenou o projeto desenvolvido pela equipe de redes sociais do órgão.


Metrópole – Como surgiu a Campanha Pequenas Corrupções – Diga Não?
Thaisis Barboza – A campanha foi motivada pela observação das respostas dos usuários do Facebook ocorrida em outra ação realizada pela CGU em dezembro de 2012, durante as comemorações do Dia Internacional contra a Corrupção. A controladoria fez a seguinte pergunta aos fãs da sua página na rede social: “O que você faz para combater a corrupção no dia a dia?”. A partir das respostas obtidas, surgiu a ideia de elaborar uma campanha específica, que também utilizou como referência a pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Instituto Vox Populi que listava as dez práticas de corrupção mais comuns no cotidiano dos brasileiros. Vale destacar que a campanha contou com duas etapas. A primeira foi lançada em 6 de junho de 2013 e teve a duração de um mês. Naquela ocasião, as mensagens de condutas antiéticas foram publicadas, individualmente, com o espaçamento de alguns dias entre elas. Agora, na segunda etapa, resolvemos unir todas as mensagens em uma única imagem e a publicamos no perfil da CGU na rede social no dia 9 de fevereiro. 
 

Vocês esperavam tantas visualizações? Por que acreditam que houve tamanha repercussão? Quais foram os números até hoje?
O resultado da campanha foi algo realmente surpreendente. Não esperávamos tantas visualizações, sobretudo na segunda etapa. Até a tarde da última segunda-feira (17/2), a imagem que reúne todas as mensagens de condutas antiéticas havia alcançado 143.361 compartilhamentos, 14.509 curtidas e 8.224.728 visualizações. Sem falar nos mais de 1,2 mil comentários enviados por usuários. Acreditamos que isso foi positivo e a grande adesão à campanha aconteceu pelo fato de que há uma parcela significativa de brasileiros que apoiam e praticam atitudes éticas no dia a dia. A nosso ver, o usuário se identificou com a campanha e essa, por sua vez, acabou funcionando como uma voz para a manifestação de uma parcela do povo.


Vocês acreditam que o problema relacionado às “pequenas corrupções” seja cultural do brasileiro? Por meio da campanha é possível fazer com que as pessoas se conscientizem e, de fato, mudem suas atitudes?
Não temos como afirmar que esse seja um problema apenas cultural. É uma questão complexa, que envolve vários elementos, e não caberia a nós analisá-los à exaustão. Em nosso trabalho, acreditamos no poder da conscientização e do bom exemplo, por isso investimos na campanha. A grande repercussão positiva que tivemos demonstra que essas não são práticas aceitas por todo mundo. Ao contrário, evidencia que há brasileiros que agem de forma ética e educada nas pequenas atitudes do cotidiano. Somado a isso, sem dúvida, na minha opinião, a ação servirá como incentivo para que as pessoas ajam de forma correta no dia a dia. Afinal, nosso verdadeiro objetivo foi conscientizar para o fato de que atitudes cotidianas consideradas normais, na verdade, podem ser desvirtuamentos éticos e devem ser combatidos.


Quais tipos de “pequenas corrupções” não foram postados e que também entrariam nesse contexto? Qual vocês elegem como a “mais grave”?
Devido ao alto número de sugestões de outras “pequenas corrupções” enviadas pelos usuários, por ocasião da campanha, a CGU lançou uma nova fase da ação, formada exclusivamente pelas contribuições mais listadas e mais curtidas pelos internautas. O primeiro post dessa etapa foi publicado no dia 15 com a seguinte conduta antiética: “Copiar trabalho acadêmico da internet”. No último domingo, o perfil da CGU no Facebook divulgou outra frase: “Estacionar em vaga especial”. Ao longo dos próximos dias, mais novidades serão divulgadas no perfil da rede social.


De que forma essas “pequenas corrupções” poderiam não existir? O investimento em educação pode ser uma saída?
Sem dúvida, o investimento em educação e campanhas de conscientização são excelentes caminhos, sobretudo na formação das novas gerações. Por isso mesmo, a CGU tem várias ações voltadas para o público infanto-juvenil, além de programas de formação e capacitação de cidadãos e gestores públicos. As “pequenas corrupções” estão presentes no dia a dia de todos, mas o importante é que sejam combatidas.


Esses tipos de atitudes listadas podem ser reflexo das ações impunes cometidas pelo governo?
Não temos elementos suficientes para afirmar que os comportamentos listados na campanha são ou não um reflexo das atitudes impunes cometidas pelo governo. A campanha buscou mostrar que o combate às “pequenas corrupções” deve ser feito por todos os brasileiros, porque elas podem deformar a consciência ética dos cidadãos e influenciar na prática de ações ilícitas mais graves.



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